NOVA FRIBURGO NÃO É A SUÍÇA BRASILEIRA










Os historiadores Janaína Botelho e Martin Nicoulin



"Historiadores concordam: Nova Friburgo


não é uma cidade suíça. É brasileira"





Matéria publicada em A VOZ DA SERRA em 27/10/2009



Dois historiadores, com trabalhos publicados sobre Nova Friburgo, e uma mesma conclusão: Nova Friburgo não é uma cidade suíça; é uma cidade brasileira. O suíço Martin Nicoulin e a brasileira Janaína Botelho reuniram-se na última sexta-feira, na Universidade Candido Mendes para debater os caminhos da historiografia do município da Região Serrana, ao lado do secretário de Cultura, Roosevelt Concy. Na conversa entre os dois autores, vieram à tona coincidências históricas que estreitam as ligações entre a Fribourg suíça e Nova Friburgo.Considerando-se o pai de uma nova produção histórica sobre o município, Martin Nicoulin relembrou o apoio que a Confederação Suíça deu aos historiadores João Raimundo e Jorge Miguel, para a realização de uma história de Friburgo com a sensibilidade de pesquisadores locais, o que resultou no livro Teia Serrana. Apesar da extensa programação, em virtude do VI Encontro Suíço-Brasileiro, Martin Nicoulin teve tempo de fazer uma leitura rápida do livro sobre o cotidiano de Nova Friburgo no final do século XIX, de Janaína Botelho. O que mais impressionou o historiador foi ter ciência de que o fenômeno da vinda dos cariocas a Friburgo, em virtude das epidemias de febre amarela, abordado no livro de Janaína Botelho, tem características semelhantes com o que ocorreu em Fribourg na Suíça.


De acordo com ele, os aristocratas ou patrícios, também fugiam da febre amarela em Fribourg, dirigindo-se para seus chateau nos alpes, em maio, no início do verão. O que o surpreendeu mais ainda foi o fato dos veranistas cariocas permanecerem seis meses em Friburgo, mesmo período em que os aristocratas suíços permaneciam no campo. Esta coincidência é mais um fato que une as duas cidades, segundo ele.Surpreendentemente, Martin Nicoulin não aprova a denominação de Suíça Brasileira para Nova Friburgo. Segundo ele, quando veio a Friburgo em 1967 fazer suas pesquisas, não viu nada de suíço. “Todo mundo me falava da Suíça Brasileira. Nova Friburgo não é uma cidade suíça. É uma cidade brasileira.” Ainda segundo ele, quando se deparou com suíços andando descalços e analfabetos na região de Lumiar, viu nisto uma regressão. Não deixaram uma gastronomia e, o que é pior ainda, ficou perplexo quando visitou uma fazenda da família Monnerat e viu instrumentos de tortura de escravos, demonstrando que os suíços se aculturaram, efetuando as mesmas práticas que os fazendeiros brasileiros. Nas fotos de Regina Lobianco viu, no entanto, um traço suíço, a humildade e a limpeza.


Finalmente, Martin Nicoulin disse ao secretário de Cultura, Roosevelt Concy, que fica feliz em ser o pai de produções historiográficas sobre Friburgo e espera que estas pesquisas não cessem. Para Roosevelt Concy, o encontro entre os dois escritores representa um marco na história não só para a Candido Mendes, mas para a cultura da cidade que herdou o nome do Cantão Suíço de Fribourg, onde nasceu Martin Nicoulin, e de onde vieram os primeiros colonizadores do Século 19.“Do ponto de vista cultural esse é um momento frenético. Um convite ao retorno no tempo, para a história dos friburguenses e dos suíços que decidiram trocar o país dos Alpes para construir uma história de vida em solo brasileiro”, lembrou o secretário. Dois historiadores, dois livros e uma história.O historiador suíço Martin Nicoulin veio a Nova Friburgo para o VI Encontro Suíço Brasileiro, que faz parte da história dos 200 anos da cidade de Nova Friburgo, fundada em 1819 por imigrantes suíços. Durante muitos séculos as raízes helvéticas da cidade foram esquecidas. O primeiro passo para a recuperação dessa memória foi dado em 1973, quando o jovem universitário Martin Nicoulin, pesquisava para uma tese de doutorado a vinda de dois mil suíços - a maioria oriunda do Cantão de Friboug-para o Brasil. A pesquisa deu origem ao livro A Gênese de Nova Friburgo – Emigração e Colonização suíça no Brasil, que teve sua versão em português lançada apenas em 1996. Martin Nicoulin afirmou que se considera um estrangeiro de alma brasileira. Contou que veio ao Brasil em 1966, em busca de conhecer melhor a história da colonização suíça, que deu origem ao primeiro núcleo de colonizadores não portugueses no Rio de Janeiro. Por essa razão, a cidade ficou conhecida como a “Suíça brasileira”, título atualmente contestado pelos dois historiadores. Há quase um ano, a pesquisadora Janaína Botelho lançou “O Cotidiano de Nova Friburgo no Final do Século XIX: Práticas e Representação Social”. A obra, fruto inicial de um trabalho para tese de mestrado, recebeu premiação da Academia Brasileira de Letras. O livro corrige distorções históricas a partir da análise do cotidiano da sociedade friburguense através de páginas dos jornais. Janaína Botelho revela as fortes influências de imigrantes portugueses e italianos na virada do século XIX, afirma que os suíços pouco contribuíram para o desenvolvimento da cidade e mostra que Friburgo viveu sua Belle Époque.




O livro revela que foi o turismo o grande responsável pela economia local por conta das epidemias que assolavam a então capital do País, o Rio de Janeiro, fazendo com que os cariocas passassem quase seis meses por ano em Friburgo, o que provocou uma reedição da Belle Époque, seguindo uma tendência nacional de europeização dos costumes. Além disso, o trabalho constata que imigrantes italianos e portugueses tiveram participação bem mais ativa na região do que os colonizadores suíços, sem esquecer dos turcos, espanhóis e africanos.


Charge: Silvério, cartunista de A VOZ DA SERRA.

1 Response to "NOVA FRIBURGO NÃO É A SUÍÇA BRASILEIRA"

Anônimo disse...

Aqui na Alemanha e na Austria existem diversas "Suicas". O termo "Suica" é usado para descrever uma regiao muito bonita. Tem nada a ver com populacao de suicos.

Abracos de Hamburgo

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