INSTITUTO COLEGIAL FREESE- A FORMAÇÃO DA ELITE POLÍTICA DO IMPÉRIO


Vista dos fundos do Instituto Colegial Freese. 01/07/1843.

Quando o naturalista alemão Hermann Burmeister visitou Nova Friburgo, em 1851, se impressionou que uma vila tão pacata tivesse um estabelecimento educacional de alto nível, “à altura dos melhores existentes no país”. Tratava-se do Instituto Colegial Freese, do inglês John Henry Freese, fundado em 01 de julho 1841, outrora Instituto de Nova Friburgo, que formou a elite política e profissionais liberais do Império. Depois de terminada a educação lá encetada, muitos ex-alunos do Instituto Colegial Freese ocuparam eminente posição na política, tornando-se deputados e senadores do Império e outros se destacaram “nas letras” e na carreira militar. Casimiro de Abreu estudou no Instituto Freese, dos 11 aos 13 anos(1849-1852), onde recebeu instrução primária. Tschudi referiu-se também ao Instituto Colegial Freese, ao seu ensino musical e a outro estabelecimento que lhe seguiu, o Colégio São Vicente de Paula, cujo fundador era o pedagogo alemão Barão Tautphaeus.

O colégio situava-se na Rua do Colégio, atual Rua Monsenhor Miranda, onde hoje funciona a Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia. Foi posteriormente vendido ao Coronel Galiano Emílo das Neves e a Cristovão Vieira de Freitas, mas o Prof. John Freese continuou como professor do colégio. O estabelecimento de ensino foi fundado pelo Prof. Freese com o nome original de Instituto Collegial de Nova Friburgo. Após a compra por Galiano das Neves e Christovam de Freitas, como preito de admiração ao fundador e antigo proprietário, mudaram o nome para Instituto Colegial Freese. Muitos educadores do afamado Colégio Pedro II foram cooptados para dar aula no Instituto Colegial Freese. Curiosamente, foi vendido ao Dr. Carlos Éboli, para se transformar em um estabelecimento hidroterápico, que recebia pacientes de todo o país para tratamento medicinal à base de hidroterapia. Digo curiosamente, pois saúde e educação sempre foi uma simbiose perfeita na economia da cidade. O Instituto Colegial Freese era amplo, arejado, dispondo de grande pátio para recreio dos alunos, grandes alojamentos para dormitórios, salas de aulas, salas de estudo, sala para exames, refeitório, oratório e uma “rica biblioteca” que impressionou o visitante. Hermann Burmeister relatara que o Instituto Colegial Freese não ficava a dever nada, quanto às instalações, às suas congêneres européias. Durante sua estada em Friburgo, o colégio, que já tivera outrora 80 alunos, contava então com 60, pois a instalação de outro instituto semelhante em Petrópolis fizera com que sua freqüência diminuísse.

As matérias ministradas eram português, grego, latim, inglês, francês, alemão, religião, aritmética, álgebra, filosofia, retórica, geografia, história geral, história natural, física, astronomia geral, desenho, contabilidade, cálculo e música. Abaixo a logomarca do Colégio Freese. Observar nas bordas os símbolos representando cada uma das matérias ministradas nesse estabelecimento de ensino.

Um dos seus diretores, o Coronel Galiano, era um erudito e apreciador de música, formando uma banda no colégio. A Campesina, cujo fundador foi o Major Augusto Marques Braga, enteado de Galiano, tinha os instrumentos gravados com as iniciais C.F., de Colégio Freese, provavelmente uma doação do Coronel Galiano.
Além de ser um estabelecimento de ensino considerado semelhante aos melhores colégios europeus, o clima sadio de Friburgo motivava também os pais a matricularem seus filhos neste colégio. Funcionando em regime de internato, as mães observavam que seus filhos quando retornavam ao lar durante as férias de final de ano, encontravam-se saudáveis e vigorosos. Uma mãe que residia na Corte, e teve três filhos matriculados no Instituto Colegial Freese, observou o bom resultado obtido pelos meninos quanto à saúde. Segundo um relato, “todos gozavam saúde, e José, o mais velho, por ser um pouco fraco e adoentado, foi o que mais lucrou com o magnífico clima do lugar.” Em razão disso, fez toda a formação de seus filhos no Instituto Colegial Freese. Mas como era a viagem destes estudantes a Friburgo? Partindo do Rio de Janeiro, tomavam eles, na Prainha, a barca que atravessava a baía, conduzindo-os até Villa Nova. Daí tomavam “carros” até a estação da estrada de ferro seguindo, pela via férrea até a raiz da serra do Morro Queimado. Neste ponto, deveriam galgar, a cavalo, serra acima até chegar a Friburgo. Ainda não havia o trem entre Cachoeiras e Friburgo, cujo trecho só seria inaugurado em 18 de dezembro de 1873. No mês de novembro, época das férias, quando os alunos regressavam aos seus lares, faziam a viagem de retorno em companhia do Coronel Galiano, que pessoalmente acompanhava os seus discípulos para a Corte, a fim de prestar exames na “Instrução Pública” e entregá-los aos seus pais. Finalizando, a lembrança do Instituto Colegial Freese, serve apenas para destacar um estabelecimento que foi um dos precursores de uma futura geração de colégios que iriam colocar Friburgo como uma referência em ensino, tanto no período imperial quanto republicano, na história da educação do Brasil.

Crédito das Fotos: Acervo pessoal da família Seng das Neves.

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