A PRODUÇÃO DE VINHO EM NOVA FRIBURGO
20:30
Janaína Botelho
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É NATAL...EM NOVA FRIBURGO...NO FINAL DO SÉCULO XIX
22:15
Janaína Botelho
Em Friburgo, hoje temos os bailes, a exemplo do rock’ noel, onde muitos adolescentes terminam a noite depois da ceia com a família. Na Friburgo do século XIX, alguns músicos percorriam as ruas tocando instrumentos, pois boa parte da população ia para a praça flanar na noite de Natal. Segue um trecho de uma deliciosa crônica que nos remete à ceia de Natal, ao movimento da casa, do sarrabulho, sangue coagulado do porco para fazer o chouriço, onde as crianças tagarelavam talvez excitadas pelo cheiro do sangue dos animais abatidos, que nos remete a hecatombe dos rituais gregos. Hoje, felizmente, os adquirimos congelados, o que nos poupa desta cena lamentável em relação aos animais. Mas não devemos julgar os costumes de nossos antepassados, pois os tempos eram outros. Penetremos então nesta deliciosa narrativa, que abre uma janela para o passado.
“A chegada do Natal, momento íntimo e familiar era dia de grande sarrabulhada. As casas ficavam todas em polvorosa: da sala de visitas à cozinha, o quintal, a dispensa, a copa, era uma azáfama de endoidecer. As crias da casa, velhas negras remanescentes da extinta escravidão resmungavam, arrumavam, iam e vinham, taramelavam, lavavam, vasculhavam, areavam e poliam. Na despensa, era um requebrar de ovos, bater de bolos, o lambuzar de forminhas, o fazer de doces, pudins, biscoitos e broas. Na cozinha, o preparo de perus, leitoas, frangos recheados e tortas, mal dava tempo de descanso às velhas cozinheiras. As próprias costureiras não tinham mão a medir: damas, senhoritas e meninas todas tinham seus vestidos encomendados.
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IMIGRAÇÃO EM FRIBURGO: FRANCESES, ESPANHÓIS E ÁRABES
23:51
Janaína Botelho
Imigraram para o Brasil, entre 1881 e 1913, mais de um milhão e seiscentos mil imigrantes. Uma parcela destes imigrantes veio para o Estado o Rio, espalhando-se por suas regiões. Havia no Estado do Rio, em 1892, 54.148 indivíduos que se declararam estrangeiros e na matéria de hoje analisaremos os franceses, espanhóis e árabes. O jornal O Friburguense relata que havia “grande número de estrangeiros especialmente portugueses, italianos, espanhóis e franceses” em Friburgo, no final do século XIX. Vejamos estes números.
Dos que imigraram, segundo o levantamento de 1892, os espanhóis aparecem em terceiro lugar em imigração(3.834), os franceses em sexto(1.087) e os árabes não aparecem no censo. Mas sabe-se por outras fontes, como os jornais, que Friburgo recebeu um contingente de árabes no final daquele século. Eram denominados turcos, tendo se ocupado no comércio local. O clube Xadrez e o antigo cinema Leal, em estilo mourisco, pode ter sido influência dos árabes em Friburgo.
Os espanhóis migraram para as regiões norte fluminense (777), serrana(714), Médio Paraíba(669) e Centro-Sul Fluminense(669). Na região serrana, Friburgo foi a que mais os recebeu(304), seguida por Petrópolis(194). Foram para cidades como Campos (347), Macaé(286), Resende(247) e a favorita de todas elas, Paraíba do Sul(476).
Com relação aos franceses, migraram preferencialmente para as regiões norte fluminense(351) e serrana(393). Campos foi a cidade preferida pela maior parte deles(293) e na região serrana, Petrópolis(266) e Friburgo(98). É significativo que Friburgo já possuísse no terceiro quartel do século XIX, uma representação do consulado francês, cujo agente era Auguste Maulaz. Na Rua do Chateau, há referência de que lá residia “o francês” Nicolau Leglay. Havia um anúncio no jornal O Friburguense de assinatura de um periódico francês, Ecos da França, denotando que haveria uma presença de franceses na cidade. Discretos, eram proprietários de um comércio mais sofisticado para atender aos abastados veranistas que vinham para Friburgo na estação calmosa. Na Praça Paissandu, existia a Charcuterie Française, de propriedade de Felix Besnard. O requintado estabelecimento de embutidos vendia boudins, saucisses, crepinettes, patè d’Italie, patè de foie de canard, patè de Pithuiers, langues fourrèes, rillettes de tours, patè de Ruffec, tripés à la mode de Caen, saucissous de Lyon e Arles, preparation de jambons façon, westphalie york, glaces, galantine truffèe, lingüiças, salpicões, morcelas e salames. Mas que delícia de cidade, hein! Logo, nesta Babel de línguas e mosaico de culturas, não podemos menosprezar os cidadãos da terra de Cervantes, Vitor Hugo e dos pais da medicina, os árabes, na construção de Nova Friburgo.
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