OS ANOS 50 - Vídeo produzido pelo CENTRO CULTURAL CANDIDO MENDES
12:36
Janaína Botelho
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DECÁLOGO DE RESPEITO À NATUREZA
23:23
Janaína Botelho
Esse decálogo não teria muita razão de ser atualmente. Não que o seu teor esteja ultrapassado, ao contrário. No entanto, perdeu o seu sentido, pois há muito tempo não vemos uma natureza pujante na Praça Getúlio Vargas e nas demais praças da cidade, considerado outrora como o município dos cravos vermelhos e das camélias brancas. É difícil compreender o abandono da praça principal da cidade, que tanto encantava os visitantes do século passado, por sucessivos governos municipais. Foi uma progressiva gestão de administradores que desprezaram o maior e mais simbólico espaço de sociabilidade de uma cidade: as praças públicas. Como no início do século 19 se acreditava que as doenças vinham do ar, pois se desconhecia a existência de microorganismos, só descoberto em 1862, preconizava-se o plantio de árvores e boulevards nas vilas e cidades para higienizar o ar “corrompido” pelos miasmas. Logo, as praças públicas tinham muito mais uma função de atender a uma política pública higienista do que ser um espaço de sociabilidade. Posteriormente essa segunda função superou a primeira.
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O BARÃO DE NOVA FRIBURGO:UM ILUSTRE TRAFICANTE DE ESCRAVOS
20:17
Janaína Botelho
Em Nova Friburgo até hoje tem-se o hábito de tecer preito ao Barão de Nova Friburgo, o “ilustre” traficante de escravos. As atas da Câmara de Nova Friburgo no século XIX não se cansam de louvar e fazer deferência aos Clemente Pinto pelos benefícios trazidos ao município. Mas pergunta-se, os Clemente Pinto procuravam beneficiar o município ou às suas propriedades? Ora, todas as doações que realizaram para o “aformoseamento” da atual Praça Getúlio Vargas, visavam tão somente beneficiar o seu rico solar que ficava em frente a esse logradouro público. E quanto ao desenvolvimento que a malha ferroviária trouxe a Nova Friburgo graças ao barão e seu filho Bernardo? Certamente o trem trouxe um grande impulso econômico a Nova Friburgo, mas objetivava-se precipuamente o escoamento da produção de café do barão de suas inúmeras fazendas em Cantagalo, barateando o seu custo. Mas o barão não foi o único a auxiliar o município. Cumpre destacar que no século XIX, a receita da Câmara era tão exígua que muitas obras em estradas, pontes e estivas eram realizadas na base da subscrição, ou seja, doação dos fazendeiros locais para as respectivas melhorias na infra-estrutura viária da então vila.
Finalmente, os áulicos do barão gostavam de tecer loas aos seus herdeiros por terem libertado seus escravos antes mesmo da abolição da escravidão. Em 1888, os herdeiros do Barão de Nova Friburgo, às vésperas da abolição, libertaram de forma oportunista, 1.300 escravos. Certamente deveriam ter informações privilegiadas na Corte de que a escravidão seria extinta brevemente. Os Clemente Pinto eram próximos da família imperial que por mais de uma vez se hospedaram em suas propriedades. Sobre esse episódio relata-se que os ex-escravos teriam ficado tão gratos com sua libertação que se recusaram a receber os salários da próxima colheita do café. Os herdeiros do barão receberam honras e títulos do imperador D. Pedro II por esse gesto.
Visita ao Palácio do Catete do Rio de Janeiro, antiga residência do Barão de Nova Friburgo. Atualmente Museu da República.
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GERAÇÃO BENDITA, GERAÇÃO MALDITA: A TURMA DO GALERIA-BAR
19:04
Janaína Botelho
De tropelia a tropelia, os rapazes da turma do Galeria-Bar eram os donos da noite friburguense, pois na segurança pública havia somente a polícia civil, que possuía apenas um jeep wyllis para ronda e poucos soldados, velhos conhecidos da galera. Segundo Bini, “o entrosamento com a comunidade era calmo, pois havia poucos casos de delitos”. As brincadeiras dos rapazes eram vistas como “coisas de juventude”. A turma participava do “Parlamento Estudantil”, que congregava estudantes de segundo grau do município, e de atividades artísticas como teatro, festivais de música e palestras. Nova Friburgo, uma cidade celeiro no campo da educação, com colégios referência no país, a exemplo do Anchieta e do Colégio Nova Friburgo, irradiava eventos culturais entre os estudantes secundaristas. Havia festivais de teatro, cinema, artesanato, shows de poesia e música no Centro de Artes, com a participação dos friburguenses Egberto Gismonti e Benito Paula. Era o tempo da contracultura provocada pela guerra do Vietnã. Nova Friburgo abrigou a primeira comunidade hipppie do país, localizada em Vargem Alta, e ganhou as páginas da imprensa nacional, um interessante episódio que merece uma matéria à parte. Essa experiência gerou o filme “Geração Bendita” sobre a comunidade hippie em Nova Friburgo, que apesar de ser de qualidade duvidosa, colocou Bini em evidência pela originalidade do tema. Bini produziu ainda com seus amigos dois jornais: “Força Jovem” e o “Jornal de Friburgo”, ambos de vida efêmera, devido a falta de condições econômicas. Mas a geração bendita logo se transformou em geração maldita. Geração maldita porque foi uma geração que vivenciou o golpe militar de 1964, onde a repressão e o patrulhamento ideológico interferia em suas atividades cotidianas. A turma do Galeria-Bar trocou as brincadeiras juvenis pela militância política, promovendo pichações nos muros da cidade com a seguinte frase: “ABAIXO A DITADURA MILITAR”.
De geração bendita, a geração maldita, dos doces anos verdes da juventude aos duros tempos da repressão e da prisão sem culpa. Consequentemente, a turma do Galeria-Bar amadureceu e trocou a tropelias da juventude pela militância política através de jornais, cinema, poesias, etc. Atualmente, alguns membros já faleceram, mas até hoje a galeria do edifício União continua a ser um espaço de sociabilidade masculina da geração antiga. Podemos mensurar a diferença entre a turma do Galeria-Bar e a geração atual, considerada essa última como individualista, através de suas referências. Para a geração de hoje, o ícone pop é o personagem fictício capitão Nascimento, do filme “Tropa da Elite”. A de outrora, o revolucionário Che Guevara. A diferença é significativa.
Matéria baseada no livro “A Turma do Galeria-Bar”, de Carlos Bini. 2001.
MÚSICAS DE PROTESTO CONTRA A DITADURA MILITAR:
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O PAI, A POLÍTICA E A VIDA SOCIAL
23:57
Janaína Botelho
Derly Moreira Chaloub nasceu em 1921 e tinha doze anos quando veio residir em Nova Friburgo. Sua família é originária de Conceição de Macabu. Seu pai foi um dos médicos mais cultuados na história de Nova Friburgo: Dr. Dermeval Barbosa Moreira. Falecido em 06 de maio de 1974, aos 74 anos, seu funeral ilustra bem a consideração que gozava junto às classes populares onde concorreram milhares de pessoas. Quando se encontrava na agonia de seus últimos momentos de vida, o povo se aglomerou na Praça Paissandu, em frente ao hospital onde ele se encontrava internado. Sob pressão da população, Derly autorizou, mesmo sofrendo com a agonia de seu pai, que cada popular passasse, um a um, em frente à porta do quarto do Dr. Dermeval para a derradeira despedida. No préstito fúnebre, as enfermeiras foram todas de branco com uma rosa vermelha à mão. Moças jogavam pétalas de rosa sobre o caixão. Muitos até imaginam que Dr. Dermeval exerceu um cargo de vereador ou prefeito no município, mas ele nunca se imiscuiu na política local. Foi o último daquela cepa de médicos que misturava a profissão com o sacerdócio, pois tinha um local e horário para atender gratuitamente aos pobres, uma prática muito comum entre os médicos até o primeiro quartel do século XX. Daí a sua popularidade e ser considerado o “pai dos pobres”.
Poucos sabem, mas quem construiu o prédio que abriga a UERJ foi o Dr. Dermeval juntamente com o seu cunhado, edificando no local, conhecido por Cascata, o Hotel Cassino. No entanto, como o jogo foi proibido no governo Dutra, o prédio virou um elefante branco. Dr. Dermeval então negociou com médicos tisiologistas do Rio de Janeiro para abrigar no Hotel Cassino mais um sanatório para tuberculosos na cidade. Augusto Spinelli, que era vereador, mobilizou a população contra essa venda, posto que Nova Friburgo iria se transformar em uma “cidade sanatório”. Encetou-se então negociações com a Fundação Getúlio Vargas e o prédio acabou virando um estabelecimento de ensino.
Derly Chaloub não tem boas recordações da política. Seu irmão Vanor foi deposto no regime militar acusado de ser comunista. Recorda-se de uma noite em que a diretora da telefônica, que gostava muito do Dr. Dermeval, foi a sua residência e relatou que ouvira uma ligação de uma pessoa importante do gabinete do Dr. Vanor ligar para a Marinha, no Rio de Janeiro, acusando o seu irmão de comunista. Foi ela quem recebeu a denúncia. Era tarde da noite, e não quis incomodar seu pai, mas no dia seguinte, narrou-lhe o fato. Dr. Dermeval foi juntamente com o seu filho, o então prefeito Vanor, ao Sanatório Naval para esclarecerem os fatos e aquela denúncia. Mas as denúncias continuaram e seu irmão perdeu o mandato de prefeito manu militaris.
Quando perguntada sobre a vida social no passado, Derly respondeu que a população de Friburgo era fria como o clima, e que antigamente não acontecia quase nada. Mas quando nos fala de seus anos dourados, percebemos que não era bem assim. Além dos bailes que freqüentava amiúde no Hotel Cassino(já esse hotel era localizado onde é hoje o Edifício União) e do Xadrezinho, Derly participava de uma orquestra de acordeão da cidade. As sessões de cinema e os passeios na praça eram inesquecíveis. Havia um trem que vinha de Porto Novo e passava às nove horas da noite pela praça. Era chamado de “vassourinha”, isso porque quando ele passava, todas as moças “decentes” tinham que ir para casa. Derly ri quando se recorda dos tipos de rua engraçados da cidade: o “Olímpio Errado”, que colocava a frente da calça para trás e o povo gritava: “Olímpio Errado”; ou ainda do “Chandoca” que tocava banjo, muitas vezes, à noite, debaixo de sua janela.
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O VOTO FEMININO: O DESMANTELO DO LAR
22:42
Janaína Botelho
Com a proximidade das eleições, os programas de televisão exploram o assunto sob diversas formas. Na semana passada, assistindo a um deles, me surpreendi com a informação de que na Suíça, as mulheres passaram a ter direito ao voto somente em 1971. Vasculhando os meus alfarrábios, encontrei um interessante artigo sobre esse tema. Trata-se de uma crônica de Henrique Zamith, cronista e poeta, que é nome de rua em Nova Friburgo. Apesar de todo o seu liberalismo, pois era a favor do divórcio, quando se trata do voto feminino, demonstra-se contra essa conquista da mulher. No entanto, suas argumentações não sensibilizariam em nada a mulher de hoje. Zamith vivenciou a virada do século XIX para o século XX, e sua opinião talvez reflita a visão de mundo do homem médio dos primeiros decênios do século passado. Quando possuímos duas mulheres candidatas a presidência da república, é curiosa a opinião desse articulista sobre o voto feminino, que estava sendo discutido por ocasião da nova constituição, depois da Revolução de 30. Vejamos a sua crônica que foi publicada no jornal O Nova Friburgo, de 23 de julho de 1931, intitulada “Voto à Mulher”. Assim escreveu Zamith:
O direito do voto feminino foi aprovado pelo Código Eleitoral Provisório, de 24 de fevereiro de 1932. No entanto, o código permitia apenas que mulheres casadas com autorização do marido, viúvas e solteiras com renda pudessem votar. Tais restrições só foram eliminadas no Código Eleitoral de 1934. Esse código tornou apenas o voto masculino obrigatório mas o feminino só passou a ser obrigatório em 1946.
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O IMPACTO DA REVOLUÇÃO DE 30 EM NOVA FRIBURGO
14:52
Janaína Botelho

Acima, José Galeano das Neves, líder do movimento revolucionário em Nova Friburgo
Galdino do Vale Filho, outrora deputado federal, apoiava o governo de Washington Luis e conseqüentemente o seu indicado Júlio Prestes. No Centro de Documentação D. João VI há dois jornais, A PAZ, do próprio Galdino do Valle e O NOVA FRIBURGO que nos mostra a temperatura política da época. Em A PAZ nos editoriais “O dever dos Fluminenses” (28 de julho); “A candidatura Julio Prestes” (01 de setembro); “Panorama Político” (12 de setembro); “A sucessão presidencial” (13 de outubro); “Que resta, pois a Aliança” (10 de novembro); todos de 1929, Galdino do Valle Filho apóia abertamente Washington Luis. Infelizmente, os jornais do ano da revolução não possuímos.
De acordo com Galeano “somente com um movimento armado poderíamos sair do descalabro em que vivíamos (...) pensava e disto tenho agora a prova, que o Brasil só se salvaria com uma revolução que sacudisse todo o seu aparelho político administrativo”. Conforme O Jornal, os civis fluminenses surpreenderam os revolucionários, aliando-se aos militares nas ações armadas e articulações políticas. O Partido Democrático Fluminense convidou José Galeano das Neves a organizar em Friburgo “elementos que pegassem em armas quando fosse necessário”. Galeano fora escolhido porque reunia todas as condições para liderar o movimento em Nova Friburgo: Era ligado a Minas Gerais por laços familiares e político; era inimigo ferrenho do legalista Galdino do Vale Filho; homem de posses e líder no município por vir de uma família tradicional de políticos. Mas Galeano era civil e necessitava do apoio de um estrategista militar para coordenar as primeiras ações que denominou de “conspiração friburguense”.
A Revolução de 30 teve forte repercussão em Nova Friburgo por três fatores: primeiro pela sua posição geográfica, próxima da Capital da República, sede do governo federal e palco dos acontecimentos. Segundo pela sua forte relação com o Estado de Minas Gerais, que remonta desde a fundação do município, pois muitos mineiros migraram para Nova Friburgo com quem tinha estreitas relações comerciais. A terceira e principal razão foi o fato de em Nova Friburgo residir um membro aparentado da elite política mineira: Galeano das Neves. Possuindo forte liderança local era o instrumento perfeito para os mineiros revolucionários. Além disso, tradicionalmente sua família sempre fora oposição política ao legalista Galdino do Vale Filho. Galeano das Neves foi o articulador político da insurreição friburguense e ganhou as páginas do jornal carioca. Com isso, colocou Nova Friburgo a cavaleiro na Revolução de 30.
Abaixo, charges da época criticando a política do Café com Leite.
Agradeço a Walther Seng das Neves pelas fontes fornecidas para realização dessa matéria.
Entenda o contexto político da época:
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O ABANDONO DA PRAÇA GETÚLIO VARGAS
10:01
Janaína Botelho
Essa praça, cujo projeto inicial foi do famoso arquiteto Glaziou, que servia ao Imperador Pedro II, era local onde se armavam os circos, já abrigou o cinema Leal, já foi velódromo de corridas de bicicleta, enfim é um dos mais importantes espaços de sociabilidade de Nova Friburgo. Em razão de uma infeliz gestão municipal, implantou-se uma rodoviária urbana dentro da praça, prédio esse de aspecto sombrio, sem qualquer valor estético, substituindo-se o verde pelo concreto.
Por sucessivos governos municipais, que remontam há mais de uma década, ela tem sido abandonada e o poder público mal faz a sua manutenção. É comum a população se deparar com ratos a correr entre azaléias ressequidas, os bancos quebrados, enfim, um descaso total em uma praça que originariamente havia sido criada para ter uma função higiênica no coração da cidade.
Daí a minha solidariedade com o chargista Silvério, de A VOZ DA SERRA, em lembrar que a primavera vem aí e a Praça Getúlio Vargas sequer pode nos remeter a tal estação, devido ao seu total estado de abandono.
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FAMÍLIA SERTÃ:A DISCRIÇÃO AO DISTRIBUIR MERCÊ
23:30
Janaína Botelho
Diz-se que Getúlio Vargas experimentou certa feita, em Petrópolis, algumas frutas e ficou maravilhado. Os pêssegos eram doces e suculentos, de sabor inigualável. O presidente quis saber a sua origem. Eram de Nova Friburgo, produzido por Raul Sertã que cultivava no Sítio Santa Elisa, de sua propriedade, além de pêssego, uva, figo e castanha portuguesa. Desde então, o presidente encomendava sempre os frutos de Friburgo. Mas quem eram os Sertã em Nova Friburgo? A história dessa família se inicia em Nova Friburgo no Século XIX. Antonio Lopes Sertã(1851-1894) português originário da vila Sertã, era mascate, e vinha periodicamente a então Vila de Nova Friburgo carregado de mercadorias em lombo de burro, antes da vinda do trem em 1873. Comercializava seus produtos no Empório do rico português Joaquim Tomé Ferreira, que ocupava quase toda a Rua Gal. Argolo(Alberto Braune). Foi quando se apaixonou pela filha de Ferreira, Elisa(1858-1933), que logo correspondeu ao seu amor e vieram a casar-se constituindo uma família que se tornaria uma das mais tradicionais da cidade. Tiveram seis filhos: Licínio, Mário, Raul, Alfredo, Aníbal, Antonio e Hilda, sendo que os dois últimos morreram precocemente aos 21 e 22 anos, respectivamente. Elisa ficou viúva aos 46 anos, e continuou administrando as atividades da família. Vendeu o Empório, construiu várias casas para transformar em renda os aluguéis, prática tipicamente portuguesa, e segundo a família quadruplicou o patrimônio dos Sertã. Foi fundadora juntamente com Acácio Borges, Castro Nunes, Samuel de Paulo Castro e Henrique Éboli, da Caixa Rural, o primeiro banco de Nova Friburgo. No governo de Gustavo Lira da Silva, prefeito da cidade, emprestou dinheiro para as obras públicas cuja dívida era amortizada no imposto predial.
Os filhos de Antônio e Elisa Sertã que ficaram em Friburgo logo se destacaram. Mário Sertã, médico, inaugurou a primeira Casa de Saúde particular em Friburgo, localizada onde hoje é o Hotel Montanhês. Raul Sertã, além de seus premiadíssimos frutos em exposições agrícolas, trouxe a primeira Companhia Telefônica para a cidade sendo o maior acionista. Mas o que caracterizou a família Sertã foi a caridade e a discrição. O casarão da Madre Roseli de propriedade de Josephina Marques Braga Sertã, casada com Mário Sertã, foi doado para abrigar meninas órfãs e Raul Sertã se ocupou em financiar as obras para adaptar o lindo sobrado residencial para sua nova função. O Nova Friburgo Futebol Clube deve aos Sertã o seu estádio. Fizeram a doação do terreno visando promover o esporte que nascia na cidade no início do século XX: o futebol. Desde o Império passando pela República, o governo limitava a assistência de saúde aos pobres somente com a doação de remédios. Não construíram hospitais públicos até metade do século XX. As Santas Casas de Misericórdia foram criadas para suprir essa deficiência do Estado e acolher os doentes pobres em suas instituições de caridade. Raul Sertã foi quem doou o terreno para a construção da Santa Casa de Misericórdia em Nova Friburgo, cuja manutenção e administração era feita por homens abastados da cidade e a população em geral. A Santa Casa de Misericórdia foi desapropriada no governo de Paulo Azevedo, transformada em hospital municipal e constitui o atual Hospital Raul Sertã. O terreno onde hoje é instalada o Fábrica Ypu foi doado por Elisa a Maximiliam Falk para a construção da fábrica. O pai de Elisa deixou-lhe como herança uma extensa propriedade que ia do atual Bairro Ypu até Theodoro de Oliveira. Elisa soube dividir com a cidade e doou parte do terreno para a instalação da referida fábrica no intuito de promover o progresso em Friburgo. Os Sertã auxiliaram ainda nas obras sociais da Instituição Santa Dorotéia, entre outras.
Elisa Sertã faleceu em 1933, aos 76 anos de idade. Quando da passagem de seu cortejo fúnebre pela rua principal até o jazigo da família, as casas comerciais e residências cerraram as portas e janelas, em sinal de respeito a grande benemérita que auxiliara no progresso e fizera caridade em Nova Friburgo. Dr. Feliciano Costa, quando prefeito, teceu-lhe preito dando-lhe um nome de rua. O que chama a atenção é como as famílias supriam, pelo menos até a primeira metade do século XX, funções e deficiências do Estado, no caso em epígrafe, o município de Nova Friburgo.
O primeiro time de futebol em Friburgo, onde os sertã participavam
Entrevista realizada com Maria do Carmo Sertã Passos, Margarida Sertã Meressi e Lúcia Sertã em julho de 2010.
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INDUSTRIALIZAÇÃO E TENSÕES SOCIAIS
14:13
Janaína Botelho

Acima: populares acompanham as obras da Fábrica Ypú
Richard Ihns foi o mais importante executivo da Fábrica de Rendas Arp, administrando-a no período 1947 a 1997. Enfrentou aquela velha tensão entre capital e trabalho nos anos que antecederam o golpe militar de 1964, onde ocorreram alguns distúrbios na cidade, culminando inclusive com a morte de um operário na Praça Paissandú. Nessa ocasião, os industriais contavam apenas com o Sanatório Naval que enviava fuzileiros navais para manter a ordem pública na cidade. Feliciano Costa, que foi prefeito, que foi prefeito, m morte inclusive de um operario provocou -sr uma imensa tinha uma tendência política de esquerda não esposada pelos industriais da época. O ovo da serpente do comunismo em Friburgo estava entre os funcionários da estrada de ferro.
Transcorridos alguns anos, essas mesmas indústrias estão longe de gerar atualmente os cinco mil empregos diretos de outrora. Richard Ihns vê, no entanto, que deixaram um legado ao município, notadamente a Fábrica Filó, refletida na moda íntima. Entende que se deve desenvolver o turismo, criar eventos permanentes a exemplo de exposições de flores, produtos agrícolas, competições como a de motociclistas e construir um centro de convenções. Para Richard Ihns, Friburgo hoje não é mais uma cidade para abrigar grandes complexos industriais. As indústrias de Friburgo deveriam ser do tipo especializadas, de alta tecnologia e que exija mão de obra técnica e de pequena monta, a exemplo da fábrica de ampola de raio x, que já estivera em Friburgo, ou de aparelhos eletrônicos, mas em pequena escala. Depois dessa mudança de paradigmas pergunto quem mudou, o executivo que administrou uma grande indústria por meio século, ou foi Nova Friburgo? Richard Ihns responde: “Novos tempos”. Enfatiza que a vocação de Friburgo atualmente é para pequenas empresas com alta tecnologia.
Em 2011, a Rendas Arp completará o seu centenário e nos anos seguintes, igualmente, as outras indústrias. Julius Arp, primus inter pares, Maximiliam Falck e Otto Siems foram comparados, no passado, à Santíssima Trindade, a Trindade Teutônica, por terem gerado milhares de empregos em Nova Friburgo. Recordemos, foi Julius Arp quem trouxe a energia elétrica ao município. Quem não se recorda do barulho dos tamancos dos operários, no passado, cruzando a cidade desde às 5:00 horas da manhã? A dialética do capital e do trabalho, do burguês e do operário é um período conturbado da história do município, até porque o golpe militar de 1964 agravou ainda mais as tensões entre as classes sociais. Quem quiser se aventurar em pesquisar esse período da história de Friburgo, deve fazer como nos recomenda Richard Ihns: “Diga a verdade e saia correndo.”
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Laura Milheiro: Uma personalidade cambiante entre a doce Tia Laura e aguerrida Dama de Ferro
20:25
Janaína Botelho
Brevemente, a Câmara Municipal de Nova Friburgo irá homenagear Laura Milheiro de Freitas, dando-lhe o nome de sua tribuna. Muitos desconhecem sua história em Friburgo e vale a pena recordar sua trajetória na vida pública. Nascida em 13 de abril de 1913 e filha de uma numerosa família de imigrantes portugueses, Laura Milheiro é carioca de nascimento. Veio para Friburgo em 1942, quando tinha 29 anos acompanhando seu marido, Augusto Souza Freitas, oficial da Marinha, transferido para o Sanatório Naval. Como seu marido padecia de uma doença crônica dos pulmões, o clima de Friburgo lhe foi recomendado por médicos à época, ocasionando sua transferência para aquele estabelecimento. O fato de ter apenas uma filha, Lídia Milheiro de Freitas Chaves, deu a Laura Milheiro tempo suficiente para se dedicar às ações sociais, atividade que já realizava desde o Rio de Janeiro, quando auxiliava sua mãe. Nos últimos anos de sua vida, as definições sobre a militante política Laura Milheiro são um verdadeiro paradoxo: de doce e terna “Tia Laura”, como era conhecida pelas classes populares, a “dama de ferro”, assim descrita por correligionários e adversários políticos. Mas como iniciou sua trajetória política?
Tudo começou quando o médico da Marinha, Dr. Silva Araújo, amigo da família, atendia às pessoas pobres a seu pedido, gratuitamente, quando Laura já se dedicava às ações sociais em Friburgo. Dr. Silva Araújo se candidatou ao cargo de vereador e como sempre atendia “aos seus doentinhos pobres”, Laura se sentiu na obrigação de trabalhar para ele em sua campanha. Foi eleito e quando terminou seu mandato incentivou-a a se candidatar, pois como vereadora teria mais instrumento para suas ações sociais. Como por trás de uma grande mulher existe um grande companheiro, foi incentivada por seu marido e assim entrou para a política, tendo uma carreira meteórica. Foi vereadora por quatro mandatos, presidente da Câmara, sendo a primeira mulher a exercer o cargo de vereador no Estado do Rio. Assumiu ainda a função de prefeita durante 40 dias, em substituição a Amâncio Mário Azevedo, que viajara para a Alemanha.
De acordo com as memórias de sua neta, Ana Luiza Milheiro, Laura Milheiro via na função pública uma atividade em que não poderia haver ganhos pessoais. Recusou do então governador Roberto Silveira um cartório e deixou de se candidatar ao cargo de vereador quando a função passou a ser remunerada. Discordava que um vereador tivesse vencimentos. Desde que a Câmara Municipal foi instituída em Friburgo, em 1820, os vereadores não recebiam salários. Davam a sua contribuição pessoal a administração da cidade, sem possuir ordenados, sendo eleitos em razão da notória capacidade em suas atividades privadas.
Laura Milheiro foi uma daquelas mulheres que estava além de seu tempo. Enquanto na sua geração, as mulheres de classe média, eram “do Lar”, cuidando da casa, dos filhos e servindo ao marido, Laura foi uma militante política. Mas não havia preconceito àquela época? Certamente que sim, mas Laura superou esta questão. Segundo as memórias de sua neta, como sua avó era uma mulher muito bonita, as esposas dos correligionários sentiam muito ciúme dela. Astuta, Laura visitava as casas destes políticos, fazia amizade com suas esposas e assim angariou a simpatias das ciumentas, revertendo o quadro. Quando os maridos diziam que iam a reunião política, perguntavam se Dona Laura estaria presente, pois se ela estivesse, é sinal de que havia de fato reunião e não uma desculpa para suas “saidinhas”.
No campo das ações sociais fundou o Serviço de Assistência Social Evangélica(SASE), o núcleo da Legião da Boa vontade (LBV) em Friburgo, o Abrigo Betel para idosos e menores desamparados, o Instituto de Assistência de Proteção aos Cegos e a Casa das Meninas do Abrigo Amor a Jesus. Foi ainda presidente do Serviço de Proteção, Educação e Ajustamento da Criança(SPEAC) e presidente da Comissão Municipal da Legião Brasileira de Assistência(LBA), fora os postos de saúde que trazia para as comunidades carentes. É exaustivo enumerar as diversas funções que Laura Milheiro exerceu na vida pública. Mesmo contando com o apoio de diversas pessoas na criação destas instituições, Laura Milheiro era de fato a timoneira destes projetos, já que assistência social sempre fora a sua missão.
Já no executivo municipal, exerceu funções públicas no governo de Amâncio de Azevedo, Alencar Barroso, Paulo Azevedo e Nelci da Silva. Pertencia aos quadros da comissão executiva do PTB, depois do MDB, futuramente PMDB, sendo que até o final de sua vida, mesmo afastada das funções públicas, foi sempre procurada por políticos que lhe pediam aconselhamento. Não havia candidato que não passasse pelo “beija mão” de Laura Milheiro. No plano estadual participou do Movimento Popular de Alfabetização (MPA) no governo Roberto Silveira(PTB), onde tinha bastante trânsito e simpatias do governador, pois fizera aguerrida campanha em 1958, pela sua eleição. Laura Milheiro passou a ter a partir de então grande poder político e liderança na região, pedindo nada menos ao governador Roberto Silveira que transformasse Friburgo em capital do Estado do Rio. Ao que parece, o governo chegou sinalizar esta possibilidade: “...Senhor Governador, o povo vê hoje a concretização de um sonho que acalentava há anos, Friburgo tornar-se a capital do Estado...”. De fato, no final do século XIX, Friburgo disputou com Petrópolis e Campos o lugar de capital do Estado, mas Petrópolis acabou ganhando, se tornando capital, ainda que por um período efêmero.
Laura, como membro do PTB, sempre tecia preito a figura de Getúlio Vargas, que segundo ela, era um missionário. Pessoa muito religiosa, misturava sempre em seus discursos política com religião, como foi o caso de colocar os ideais da Revolução Francesa nas palavras de Jesus: “...Fazia-se mister o desmoronamento das castas nobres opressoras, para que a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade pregadas por Jesus pudessem entrar no mundo”. Militante, iniciava sua correspondência com a frase: “Saudações Trabalhistas!”.
Em sua correspondência com o governado Badger da Silveira, em agosto de 1963, Laura Milheiro se mostra como uma mulher ousada desafiando um delegado de polícia, onde fez campanha pela sua exoneração. Naquela época os delegados eram nomeados pelo governador. Acusou-o de conivência com marginais e de explorar a jogatina e o lenocínio na cidade. Em todos os ofícios, a assinatura de Laura era sempre a primeira.
Laura Milheiro se envolvia em tudo. Capacitação de mulheres operárias, tornando-as assim “ajudadora no lar”, amparo a maternidade, a infância, aos desvalidos e enfermos. Percebe-se sua preocupação sempre com a periferia da cidade e a zona rural. Somente mais de meio século depois que Laura Milheiro ingressou na vida pública é que vão surgir em Friburgo as primeiras mulheres candidatas aos cargos de vereador e prefeito, o que demonstra o seu vanguardismo à época. Chegou a ser candidata a prefeita, porém não logrou êxito, e seu santinho dizia: “um coração a serviço do povo, eficiência comprovada, realizações indiscutíveis”. Sua neta Ana Luiza se recorda que ela se sentia decepcionada com a política nos últimos anos de sua vida, tendo falecido em 22 de fevereiro de 2007. Não era para menos. A política mudou muito, os partidos se tornaram legendas de aluguel e como Laura Milheiro sempre manteve uma coerência política, uma ideologia linear, não poderia mesmo se adaptar aos novos ventos e práticas políticas.
Laura tinha como sua grande referência na política a figura de Getúlio Vargas e se sentia legatária e responsável em cumprir à risca o que Getúlio deixara em sua carta testamento quando de seu suicídio. A Câmara foi muito feliz em indicar o nome de Laura Milheiro para sua tribuna. A oratória sempre foi a sua característica mais marcante. Por isso, deixo o leitor com a íntegra do seu discurso quando da inauguração da estátua de Getúlio Vargas, outrora Praça 15 de Novembro, para conhecermos melhor o pensamento político de uma mulher cuja personalidade é cambiante da doce “Tia Laura” a aguerrida “dama de ferro”.
Exmo.Sr. Almirante Amaral Peixoto; Exmo. Sr. deputado Salo Branol, representante do Exmo. Sr. governador; Sr. deputado Dante Laginestra; Exmo. Sr. Prefeito e Vice-prefeito e demais autoridades presentes; meus senhores e minhas senhoras:
Com os olhos marejados de lágrimas pela saudade, venho de público trazer a minha singela cooperação a esta tocante cerimônia, onde estamos prestando o nosso preito de gratidão, pelo muito que recebemos do grande e inesquecível vulto do insigne brasileiro que foi o ex-presidente Getúlio Vargas.
Não me era possível silenciar, pois como vereadora do Partido Trabalhista Brasileiro(...) é com lágrimas nos olhos e o coração ferido pelo desaparecimento prematuro do defensor do direito do pobre e do desprotegido da sorte, para quem reservou os últimos pensamentos e a quem tanto ainda desejava ajudar, que hoje prestamos esta homenagem póstuma, pois de vindo fora, receberia as mais vivas demonstrações de reconhecimento e gratidão dos verdadeiros getulistas deste grande Brasil, estivesse ele onde estivesse.
Só quem sem paixão, com o coração sereno, contempla a obra deste grande estadista, pode ver o quanto fez pela nossa querida pátria, dando-lhe a melhor da lei trabalhista.
Ao ver a situação aflitiva do trabalhador, debatendo-se este com a miséria no lar, quando a enfermidade batia à sua porta, vivam os trabalhadores na mais completa desorganização, sem um objetivo, sem um ideal. Faltava-lhes a necessária compensação e com ela o desejo de progredir.
Quantas vezes o operário cumpria o seu dever sob as agruras da fome, sentindo no trabalho, a ressoar aos ouvidos as lamentações dos filhos famintos que ficaram no lar sem conforto, e da esposa a solicitar-lhe o necessário para a sobrevivência dos seus. Os seus filhos eram criados como seres irracionais, sentindo desde os primeiros instantes de vida as privações do lar proletário.
Nos dias de hoje, as reivindicações dos trabalhadores encontram acolhida e são estudadas pelos órgãos competentes do Ministério do Trabalho.
O sempre lembrado presidente Vargas é hoje o ídolo do operário nacional, porque organizou o trabalho, criou a justiça, deu valor ao trabalhador e sobretudo disciplinou as classes, dando-lhes participação na ordem política e administrativa do país, conferindo-lhes assim o gozo de viver com ideal.
Muito poderia falar enumerando todos os empreendimentos do grande presidente, em prol dos operários e trabalhadores em geral.
As gerações futuras, provindas dos trabalhadores do Brasil, hão de ser gratas ao destino que em boa hora fez surgir na vida pública a personalidade de Getúlio Vargas. E o Brasil lhe será credor de tão sublimes empreendimentos.
Há dez anos passados, já escrevia o escritor patrício, Mozart da Gama: “O Brasil, grande entre os maiores, há de ter perpetuada em bronze, para conhecimento das gerações futuras, o vulto de um filho que o conduziu a glória e ao esplendor.” A profecia cumpriu-se em nossa cidade, ao ser inaugurado hoje este belo monumento.
Getúlio Vargas, os brasileiros que comungam dos mesmos ideais pelos quais sempre lutastes, continuarão a obra que iniciaste, e aqui, junto a tua pessoa, perpetuada neste bronze, renovarão os propósitos de continuar a obra que não te deixaram realizar, de tornar a nossa querida Pátria amada e respeitada por todos nós.
Fonte: Acervo particular de Ana Luiza Milheiro de Freitas.
Sobre o Vídeo: Carta-Testamento de Getúlio Vargas.
Segunda-feira, dia 24 de agosto, dia dramático. em que Getúlio Vargas, com um tiro no próprio coração, deteve o golpe de direita que estava em marcha e que, afinal, viria dez anos depois. A conspiração golpista, liderada pela UDN, sem poder atacar Getúlio, construiu sobre seus auxiliares e familiares a história de um mar de lama.
O atentado que matou o major Rubens Vaz, segurança de Carlos Lacerda, desencadeou uma ação arbitrária de setor militares ligados à direita que subverteram a investigação legal do incidente e a transformaram num atrabiliário inquérito que ficou conhecido como a República do Galeão.
Getúlio jamais obstaculizou qualquer investigação. Aos 72 anos, cercado de auxiliares vacilantes e com fraco apoio militar, sabia que já não teria como resistir aos golpistas pela via política.
Usou, então, uma arma mutio mais potente que o pequeno revólver Smith &Wesson, calibre 32, do qual partiu a bala que feriu de mortalmente seu coração. Usou a própria morte como arma da democracia e saiu da vida para entrar na história.
Sua Carta-Testamento, talvez o mais marcante documento da História do Brasil, é famosa, mas pouco conhecida. Fui achar o áudio de uma leitura dela não aqui, no Brasil, mas nas fonotecas de duas universidades, uma de Caracas, na Venezuela, e outra de Santo Domingo, na república Dominicana.
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INSTITUTO COLEGIAL FREESE- A FORMAÇÃO DA ELITE POLÍTICA DO IMPÉRIO
18:00
Janaína Botelho
As matérias ministradas eram português, grego, latim, inglês, francês, alemão, religião, aritmética, álgebra, filosofia, retórica, geografia, história geral, história natural, física, astronomia geral, desenho, contabilidade, cálculo e música. Abaixo a logomarca do Colégio Freese. Observar nas bordas os símbolos representando cada uma das matérias ministradas nesse estabelecimento de ensino.
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